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Câncer de pele, o Instituto Kaplan mostra como detectá-lo e preveni-lo

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Sempre use o filtro solar todos os dias, use camisetas, bonés e óculos escuros com proteção da radiação UVA e UVB.

O câncer de pele é um tumor formado pelas células do órgão que sofreram mutações e que multiplicam-se de maneira desordenada e anormal, originando a neoplasia, ou seja, uma proliferação celular anormal. Segundo dados do INCA, a doença chega a matar aproximadamente 1.500 pessoas por ano no Brasil

Uma boa notícia é que para o melanoma, o tipo mais perigoso e um dos mais agressivos dentre todos os cânceres, devido à sua capacidade de disseminação em células sadias, um estudo divulgado recentemente pelo Cancer Research UK afirma que pesquisadores descobriram os genes que controlam as mudanças de forma do câncer de pele melanoma, estes até então desconhecidos, representando um avanço nos futuros tratamentos.

Além disso, a prevenção à doença, que consiste em medidas simples, também costuma ser eficaz. Para esclarecer as dúvidas sobre esse tipo de câncer, a médica  dermatologista do Instituto Kaplan, Dra. Letícia Brunetto, explica mais sobre essa temida doença.

Como suspeitar de um câncer de pele?

O melanoma cutâneo é, entre as neoplasias malignas de pele, o de pior prognóstico, tendo sua origem a partir da transformação maligna dos melanócitos, células que produzem a melanina. O diagnóstico parte da suspeita clínica de uma lesão de pele. Geralmente, o paciente queixa-se do surgimento de uma nova lesão pigmentada, ou então de modificações de tamanho, forma ou cor de um sinal já existente. Características como assimetria (A), bordas irregulares ou mal definidas (B), coloração mista (C), diâmetro maior do que 5 mm (D), e evolução da lesão (surgimento de alterações clínicas, como aumento de tamanho ou sangramento) (E), que são os chamados critérios ABCDE, reconhecidamente suspeitos quando presentes em lesões melanocíticas, podendo ser detectados nas fases iniciais de desenvolvimento do tumor.
Existe uma variável mais rara de melanoma, que é o melanoma amelanótico. Nestes casos, a lesão não apresenta coloração escura, muitas vezes dificultando e retardando seu diagnóstico.

O tratamento é mais complicado com relação a outros tipos de câncer?

Não. Os pacientes que têm indicação de tratamento medicamentoso (quimioterapia) têm efeitos adversos semelhantes a outros cânceres.

Quais os tratamentos disponíveis e quais as chances de cura?

A maioria dos pacientes com melanoma cutâneo apresenta-se ao diagnóstico em estágios iniciais da doença.  Nesses pacientes, a cirurgia para retirada da lesão é curativa em 70% a 90% dos casos.

Dependendo do estágio, ele pode realmente ser mortal, como retratado na novela “Amor à Vida”?

Sim, os pacientes com melanoma metastático apresentam um prognóstico reservado, com sobrevida média de 8 meses (com variação de mais ou menos 2 meses) após o reconhecimento da disseminação metastática. Apesar dos avanços na quimioterapia, o sucesso no tratamento medicamentoso do melanoma avançado permanece com limitações, e o prognóstico da doença metastática é reservado. Somente  10% dos pacientes sobrevivem 5 anos desde o diagnóstico.

Segundo o estudo divulgado pelo Cancer Research UK, cientistas descobriram os genes que controlam as mudanças de forma do câncer de pele melanoma. A senhora acha que de fato esse estudo pode ajudar em futuros tratamentos?

O avanço dos conhecimentos de biologia molecular e o entendimento dos genes que regulam o câncer nos últimos anos possibilitou a aprovação de novos agentes que agem na regulação de diversos genes que controlam o tumor. Hoje é sabido que o gene BRAF está alterado em mais de 50% dos Melanomas e existe uma medicação que chegou no mercado este ano que age especificamente nestes casos.
Os resultados deste estudo nos deixam otimistas na medida em que melhor conhecendo a genética, a estrutura celular e comportamento do melanoma,  mais alvos teremos no desenvolvimento de novas drogas.

Existe alguma prevenção?

Sim, existe. Proteja-se sempre do sol, o máximo possível, use filtro solar todos os dias, use camisetas, bonés e óculos escuros com proteção da radiação UVA e UVB.

 

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Dra. Letícia Tesainer Brunetto
Dermatologista no Instituto de Oncologia Kaplan
CRM/RS 28.805

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